Proteção Civil sublinha que evacuações decorrem em três municípios do Mondego
Nuno vai esperar com os pais que não querem sair de casa
"Um trabalho contínuo". Retirada de pessoas já começou e vai continuar
"Estava planeada". Retirada de pessoas tem estado a decorrer sem problemas diz Ana Abrunhosa
Pessoas retiradas em Coimbra começam a chegar a locais seguros
Proteção Civil registou terça-feira mais de 1.500 ocorrências
Portugal continental registou na terça-feira mais de 1.500 ocorrências devido ao mau tempo, a maioria inundações, adiantou à Lusa fonte da Proteção Civil, que assinalou também vários realojamentos ou retirada de população preventivamente e 15 resgates aquáticos.
Entre as 00:00 e 23:00 de terça-feira, foram registadas 1.514 ocorrências, a maioria por inundações (705), seguido de queda de árvores (260), movimento de massas (237), limpeza de vias (165) e queda de estruturas (131), referiu o oficial de operações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Pedro Araújo.
Estas ocorrências estão associadas aos fenómenos meteorológicos mais severos que atingem o continente, a chuva e o vento, e ocorreram maioritariamente no Norte e Centro do país, acrescentou.
A Área Metropolitana do Porto teve 321 ocorrências, seguido de Coimbra (223) e Aveiro (195).
No total, estiveram empenhados 4.630 operacionais e 2.089 veículos, indicou Pedro Araújo, acrescentando que a Proteção Civil não tem registo de vítimas.
Foram registados na terça-feira 15 salvamento aquáticos, sendo maioritariamente no Centro, com 11 ocorrências, na zona do Mondego.
Pedro Araújo alertou que a população deve ter "cuidados redobrados" e "evitar, de todo, ultrapassar zonas inundadas.
A água "está cada vez mais barrenta e por isso também com menor visibilidade para o que está por baixo desta água e, por isso, o risco de haver acidentes é cada vez maior".
"Têm que ser feito percursos maiores, mas em primeiro lugar a segurança", advertiu.
O comandante da ANEPC sublinhou que ocorreram na terça-feira inúmeras ocorrências por deslizamento de massas, principalmente a Norte e Centro (180), que levou a alguns realojamentos ou retirada preventiva de pessoas.
No concelho de Ponte da Barca, Viana do Castelo, duas ocorrências resultaram na retirada de 23 pessoas das suas habitações, lembrou Pedro Araújo, apontando que "os solos estão muito saturados e por isso começam a ter efeitos de escorrência", resultado em deslizamentos de terra.
As autarquias de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho decidiram na terça-feira à noite retirar centenas de pessoas nas zonas ribeirinhas do Mondego.
Pedro Araújo referiu que mais de 3.500 pessoas devem ser retiradas preventivamente, ficando em casa de familiares ou em zonas de concentração e apoio à população dos respetivos municípios.
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado, adiantou na terça-feira à noite que o rio Mondego está com "um risco claro dos diques [margens]" poderem colapsar e provocar inundações face às previsões de forte precipitação.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou na terça-feira que são esperados hoje chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que não irá afetar diretamente Portugal continental.
Em aviso laranja, entre as 06:00 e 18:00 de hoje, estão Viseu, Porto, Vila Real, Santarém, Viana do Castelo, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga.
Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Setúbal e Lisboa estão, por sua vez, sob aviso amarelo de chuva, válido até às 18:00.
O IPMA colocou ainda Bragança, Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Castelo Branco e Braga sob aviso amarelo por vento, válido entre as 12:00 e 21:00 de hoje.
Portugal continental foi atingido no dia 27 de janeiro pela depressão Kristin, a que se seguiu a Leonardo e a Marta, que causaram 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.
Presidente da CM Coimbra revela plano de retirada
Proteção Civil apela à "tranquilidade"
Presidente da APA. Vem aí novo pico de precipitação pelas 7H00 da manhã
Imagens de satélite mostram extensão das inundações na bacia do Tejo
Imagens de satélite captaram a intensidade das chuvas sobre a Península Ibérica durante três fortes tempestades de Inverno e a extensão das inundações que se seguiram na bacia do rio Tejo, em Portugal, divulgou a Agência Espacial Europeia (ESA).
A agência lembrou, em comunicado divulgado hoje, que as tempestades Kristin, Leonardo e Marta atingiram Espanha, Portugal e o Norte de África no início de 2026, provocando inundações generalizadas.
Em Portugal, a ESA destacou as áreas particularmente afetadas na cidade de Alcácer do Sal e na bacia do rio Tejo.
Uma imagem de radar divulgada na nota, baseada em dados captados pelo satélite Copernicus Sentinel-1, mostra a extensão das cheias em redor do rio Tejo e da sua bacia hidrográfica, a nordeste de Lisboa, com as áreas inundadas a vermelho.
A imagem foi captada em 07 de fevereiro e sobreposta a uma imagem de 27 de dezembro, mostrando onde os níveis da água subiram, sublinhou a ESA.
Também o Copernicus divulgou na segunda-feira no seu `site` imagens e dados sobre as inundações em Portugal.
O Copernicus destacou que foi ativado o Serviço de Gestão de Emergências Copernicus (CEMS) para avaliar a extensão das inundações em 17 áreas de interesse em Portugal.
"Esta visualização de dados, produzida com recurso ao produto de delimitação do CEMS, mostra as áreas inundadas em redor do Rio Tejo e da Reserva Natural do Estuário do Tejo, localizada a nordeste de Lisboa. (...) [Em] Salvaterra de Magos, foram inundados mais de 64.000 hectares até 8 de fevereiro de 2026", sublinhou este programa europeu de observação da Terra do qual Portugal é Estado-membro.
O CEMS fornece informações geoespaciais para apoiar a monitorização e o mapeamento de eventos climáticos extremos, ajudando as autoridades a compreender melhor a extensão dos danos nas áreas afetadas, pode ler-se ainda na mesma nota.
Este serviço foi ativado em 28 de janeiro e em 03 de fevereiro devido a inundações em Espanha e Portugal. Ambas as ativações ainda estão em vigor, sublinhou também a ESA.
A agência europeia lembrou ainda, no seu comunicado, que em Espanha, a Andaluzia e a Galiza estiveram entre as zonas afetadas e que a região montanhosa em redor de Grazalema, no nordeste da província de Cádis, registou mais de 500 mm de chuva em 24 horas durante as tempestades.
A agência europeia divulgou uma imagem da Península Ibérica que mostra a acumulação de chuva entre 01 e 07 de fevereiro, utilizando os dados da missão Global Precipitation Measurement (GPM).
A missão GPM é uma rede internacional de satélites que fornece observações globais sobre a chuva e a neve, explicou a ESA.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Autarcas do Médio Tejo alertam para milhares sem energia 14 dias após tempestade Kristin
Autarcas do Médio Tejo alertaram hoje para milhares de pessoas e centenas de empresas ainda sem energia elétrica, criticando a lentidão na reposição e defendendo uma ação mais robusta nos concelhos de Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar.
"Estamos a poucas horas de completar 15 dias desde esta tempestade que arrasou os concelhos do Médio Tejo. Ainda enfrentamos muitas fragilidades, sobretudo na reposição da rede elétrica, com milhares de habitações e centenas de empresas sem energia. É urgente uma ação mais robusta capaz de resolver esta situação nos próximos dias", afirmou Manuel Jorge Valamatos, presidente da CIM Médio Tejo e da Câmara de Abrantes.
Valamatos, ladeado pelos autarcas dos três municípios do Médio Tejo mais afetados pela tempestade --- Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar ---, destacou que a região vive uma realidade igualmente crítica à região de Leiria, ainda hoje, 14 dias depois, com inúmeros problemas por resolver e pouca ajuda visível no terreno.
"Mesmo respeitando que Leiria tenha sido o epicentro deste fenómeno, entendemos que há outras regiões e municípios que continuam com um grau de fragilidade muito elevado, nomeadamente estes três municípios no Médio Tejo, que sentem na pele, todos os dias, a falta de reposição da energia e das telecomunicações, um elemento devastador e central", declarou.
"É tempo de dizer que alguém tem que tomar atenção e ouvir o que estamos a dizer, porque 15 dias é muito tempo para continuarmos com este problema do restabelecimento da rede elétrica na nossa região", apelou.
No concelho de Ourém, o presidente da Câmara, Luís Albuquerque, detalhou que ainda cerca de 3.600 habitações, equivalentes a mais de 7 mil pessoas, permanecem sem eletricidade.
"Temos PTs que não estão operacionais, problemas na baixa tensão e a rede fixa funciona apenas a 48%, enquanto a móvel está em 81%. É inadmissível que 14 dias depois, cidadãos e empresas continuem sem luz", afirmou.
Albuquerque explicou que o concelho registou 10 mil habitações com danos em coberturas ou anexos, e que o Parque Empresarial de Ourém contabiliza 79 empresas afetadas, com danos parciais ou totais, tendo criticado a falta de equipas no terreno.
"Reclamamos mais equipas no terreno e maior coordenação por parte das entidades responsáveis. É a economia e a vida das pessoas que está em jogo", frisou.
O presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes, reforçou a gravidade da situação: cerca de 2.500 habitantes - cerca de 35% da população - permanecem sem energia, e a rede de comunicações está praticamente inoperacional no concelho.
"Passados 14 dias, exigimos uma capacidade organizativa maior, com meios técnicos e equipas suficientes para restabelecer energia e telecomunicações. Muitas micro e pequenas empresas continuam sem apoio e correm risco de encerrar. É urgente clarificação sobre os meios no terreno e um planeamento robusto para restabelecer a normalidade", afirmou.
Em Tomar, a vereadora da Câmara local, Sandra Cardoso, indicou que ainda cerca de mil pessoas permanecem sem eletricidade tendo elencado as prioridades ao momento.
"As quatro prioridades são restabelecer infraestruturas, apoiar a reconstrução de habitações, atender às juntas de freguesia sobre urgências e garantir assistência social. Apesar de algum progresso, dependemos de apoios externos do Governo, que ainda não chegaram na escala necessária", disse.
O cenário social em Ourém aponta para 37 pessoas que estão realojadas e cerca de 200 tiveram que recorrer a familiares ou estruturas temporárias. Em Ferreira do Zêzere, há 29 deslocados, incluindo 19 desalojados. Os municípios destacam a necessidade de apoio psicológico e reclamam a urgência de luz e telecomunicações para cidadãos e empresas afetadas.
Também hoje, na conferência realizada na sede da CIM Médio Tejo, estiveram representantes das associações empresariais Nersant e AIP, que defenderam apoios a fundo perdido, linhas de crédito aceleradas e moratórias fiscais, reclamando a mesma atenção para as empresas situadas nos municípios do Médio Tejo afetados pela tempestade, num distrito contíguo ao de Leiria.
Desde 28 de janeiro, quinze pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Caudal do Douro subiu e autoridades estão alerta para inundações no Porto e Régua
A subida do caudal no rio Douro está perto de causar inundações na Ribeira, no Porto, e no Peso da Régua, adiantou hoje à Lusa o comandante adjunto da Capitania do Douro, Pedro Cervaens.
Num balanço realizado pelas 23:00, Pedro Cervaens referiu que durante a noite desta terça-feira as cotas do rio Douro aumentaram, devido aos caudais que estão a ser lançados pelas barragens ao longo do rio Douro.
No Porto, atingiu a cota de 5,6 metros, que implica já a entrada de água em Miragaia e deixa a água próxima da Ribeira, referiu.
No Peso da Régua, distrito de Vila Real, a cota já está acima dos 10 metros, sendo a indicação que a partir do 10,7 metros atinge a estrada na cidade, causando constrangimentos, alertou.
Pedro Cervaens referiu, como comparação com as inundações registadas na semana passada, que a situação ainda não é crítica, existindo "alguma margem".
"Na semana passada no estuário [no Porto] a cota atingiu 6,15 metros, ou seja, uma cota bastante elevada e na Régua passou os 11 metros", exemplificou.
O comandante adjunto da Capitania do Douro lembrou, no entanto, que a situação obriga "durante a madrugada também a compreender como é que os caudais vão ser geridos".
Como fatores para a subida da água Pedro Cervaens apontou que dependerá da chuva que cair nas próximas horas, quer no interior de Portugal, quer no norte de Espanha.
"E também da água que os afluentes possam aportar ao curso principal do rio [Douro]. Portanto, é uma monitorização constante. As barragens vão largando alguma água, e vão tentando ganhar alguma capacidade de encaixe também", detalhou.
Pedro Cervaens apontou que as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) são de elevada pluviosidade e que "a perspetiva é que os caudais, se não subirem, pelo menos não irão baixar tão depressa".
O município do Porto e de Vila Nova de Gaia ativaram até domingo o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil (PMEPC), após o Governo ter colocado 48 concelhos em situação de contingência devido à ocorrência ou risco elevado de cheias e inundações, conforme foi noticiado na segunda-feira.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou hoje que são esperados, na quarta-feira, chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que não irá afetar diretamente Portugal continental.
Portugal continental foi atingido no dia 27 de janeiro pela depressão Kristin, a que se seguiu a Leonardo e a Marta, que causaram 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Municípios de Soure e Montemor-o-Velho retiram centenas de pessoas de casa
Os municípios de Soure e Montemor-o-Velho vão retirar centenas de pessoas de casa esta noite, face ao risco de inundações nas zonas ribeirinhas do Mondego, em especial na margem esquerda, anunciaram os autarcas daqueles concelhos do Baixo Mondego.
No final de uma reunião, em Coimbra, com responsáveis autárquicos, da Proteção Civil e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o presidente da Câmara de Soure, Rui Fernandes, disse aos jornalistas que estima que sejam retiradas 300 a 500 pessoas, e que este número inclui moradores que já saíram voluntariamente das suas casas.
As freguesias onde esta operação de retirada de moradores decorrerá são as de Granja do Ulmeiro, Alfarelos e Figueiró do Campo "que estão diretamente em cima da corda do Mondego", mas também em Samuel e Vinha da Rainha, face às previsões de mau tempo e possibilidade de inundações durante a noite de hoje e manhã de quarta-feira.
"Os presidentes de junta conhecem uma a uma as pessoas que é preciso retirar", adiantou Rui Fernandes, acrescentando que o município decidiu também "encerrar toda a rede escolar", não só devido à previsão de chuva forte e vento, mas também "porque, por estes dias, continuam muitos trabalhos nas estradas com quedas de taludes, muros e árvores".
"O risco existe e vai-se agravar com as chuvas que vamos ter esta noite. Queremos ter mais um dia onde os nossos meios possam trabalhar nas melhores condições possíveis, e há-de tudo correr bem. Estamos preparados, vamos confiar na obra [hidráulica do Mondego] e se o pior acontecer [a quebra das margens do rio] estaremos à altura ", frisou.
"Nestes 15 dias temos adaptado os nossos meios e dispositivos ao risco, este cenário de cheias controladas foi o que nos trouxe até onde estamos hoje. (...)Não há risco zero, mas espero que seja esta a derradeira batalha", vincou Rui Fernandes.
Já o presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, disse que no seu concelho deverão ser retiradas 80 a 100 pessoas, algumas das quais também já saíram voluntariamente de casa.
As localidades que mais preocupam o autarca situam-se na margem esquerda do Mondego -- Pereira, Formoselha, Santo Varão e Caixeira -- para além da aldeia isolada da Ereira e o Casal Novo do Rio, às portas da sede de concelho.
José Veríssimo apelou à população para manter a serenidade, aludindo ao trabalho que vem sendo realizado pelos meios municipais, em conjunto com a Proteção Civil, bombeiros, Forças Armadas e APA.
"As pessoas todas sabem em tempo real o que está a acontecer, Montemor-o-Velho recebe todas as águas, tem esse risco acrescido", notou José Veríssimo.
Mondego com "risco claro" de diques colapsarem, avisa APA
O rio Mondego está com "um risco claro dos diques [margens]" poderem colapsar e provocar inundações face às previsões de forte precipitação, afirmou hoje o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
"Há aqui um risco claro dos diques poderem colapsar. Em nome da precaução, o que é fundamental é retirar pessoas que estão nas áreas de risco", disse Pimenta Machado, que falava numa conferência de imprensa realizada em Coimbra, no final de uma reunião de emergência com autarcas da região e proteção civil local e regional.
Segundo o presidente da APA, está prevista "uma brutalidade" de precipitação na quarta-feira, registando-se "dois dias em que chove 20% do que chove num ano", referindo que a situação será monitorizada e acompanhada durante toda a noite.
Câmara de Coimbra vai retirar cerca de três mil pessoas por risco de cheia
A Câmara de Coimbra vai retirar entre 2.800 a 3.000 pessoas das suas casas face a risco de cheia no Mondego, afirmou hoje a presidente do município, Ana Abrunhosa.
"Globalmente, nós estamos a falar de cerca de 2.800 a 3.000 pessoas que são residentes, mas muitas pessoas até já saíram, foram para casa de familiares", disse a autarca, em conferência de imprensa no edifício da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em Coimbra.
Face ao risco de inundações numa parte do concelho, todas as escolas das freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas, São Martinho do Bispo, Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal e Arzila estarão encerradas na quarta-feira, disse.
Além da retirada das pessoas, foram já evacuados três lares de São Martinho do Bispo, acrescentou a autarca.
Nove distritos no Norte e Centro sob aviso laranja de chuva esta quarta-feira
Nove distritos do Norte e Centro de Portugal continental vão estar na quarta-feira em aviso laranja devido à previsão de "chuva persistente e por vezes forte", divulgou hoje o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os avisos são válidos entre as 06:00 e 18:00 de quarta-feira para Viseu, Porto, Vila Real, Santarém, Viana do Castelo, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga.
Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Setúbal e Lisboa estão, por sua vez, sob aviso amarelo de chuva, válido até às 18:00 de quarta-feira.
Em aviso laranja por agitação marítima, entre as 15:00 de quarta-feira e as 15:00 de quinta-feira, estão Porto, Viana do Castelo, Aveiro, Coimbra e Braga, distritos já em aviso amarelo pelo mesmo motivo.
Beja, Lisboa, Setúbal e Faro estão já sob aviso amarelo por agitação marítima, que se prolonga até sexta-feira.
O IPMA colocou ainda Bragança, Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Castelo Branco e Braga sob aviso amarelo por vento, válido entre as 12:00 e 21:00 de quarta-feira.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou hoje que são esperados, na quarta-feira, chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que não irá afetar diretamente Portugal continental.
De acordo com o IPMA, o vento irá soprar por vezes forte, com rajadas até 75 km/h, podendo atingir 100 km/h nas terras altas, em particular nas regiões a norte do rio Mondego.
Quanto à agitação marítima, "continua forte na costa ocidental", prevendo-se ondas de noroeste com 4 a 6 metros de altura significativa, podendo atingir 11 metros de altura máxima a norte do Cabo Mondego.
Portugal continental foi atingido no dia 27 de janeiro pela depressão Kristin, a que se seguiu a Leonardo e a Marta, que causaram 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Muro da Ribeira das Hortas ruiu e inundação chegou ao quartel dos bombeiros
Região do Oeste com 92 desalojados e 198 deslocados
O número de desalojados na região Oeste devido ao mau tempo subiu hoje para 92, com os deslizamentos de terras a revelarem-se as situações mais preocupantes, segundo a Proteção Civil.
"O deslizamento de terras e a falta de água, nomeadamente nos municípios de Sobral Monte Agraço e Arruda dos Vinhos, são as situações mais preocupantes", disse à agência Lusa o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Oeste, Carlos Silva.
Os deslizamentos de terras, que provocaram cortes de estradas e danificaram várias casas, estiveram hoje a ser avaliados "por equipas do departamento de geotecnia do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), para tentar perceber quais são as medidas que devem ser tomadas por parte de cada um destes municípios", adiantou.
Na sequência da passagem da depressão Kristin, no dia 28 de janeiro, e depois da tempestade Marta, o Oeste regista hoje um total de "92 desalojados", sendo que oito pessoas que tinham ficado nas mesmas condições "já regressaram a casa", disse Carlos Silva, acrescentando que existem também "198 deslocados".
Ainda segundo o responsável, o aumento de deslocados e desalojados relativamente a segunda-feira é referente "a pessoas de Arruda dos Vinhos e da Lourinhã, retiradas de casa por precaução". Na segunda-feira estavam contabilizados 87 desalojados e 192 deslocados.
Na região, o sub-comando registou, nas últimas 24 horas, "cerca de 60 ocorrências" relacionadas com "quedas de árvores, queda de infraestruturas, deslizamentos de terras e inundações", mantendo a tendência dos últimos dois dias, em que "o número tem vindo a baixar".
Devido aos danos nas estradas, que provocaram a rutura de condutas de água, mantêm-se sem abastecimento os concelho de Arruda dos Vinhos e Sobral, os quais "estão a ser abastecidos com veículos tanque dos corpos de bombeiros do Oeste", com o apoio de corporações da grande Lisboa, disse ainda o comandante.
O Sub-Comando de Emergência e Proteção Civil do Oeste abrange os concelhos de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche, no distrito de Leiria, e de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Lourinhã, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras, no distrito de Lisboa.
Demitiu-se a ministra da Administração Interna
O pedido de demissão já foi aceite pelo presidente da República, que considerou a situação "complexa". Com Maria Lúcia Amaral de saída, o primeiro-ministro assume "transitoriamente" as competências da agora ex-ministra da Administração Interna.
Carneiro vê na demissão uma prova de falhanço
"É a prova que o governo falhou" na resposta à crise causada pelas tempestades, considerou o secretário-geral do Partido Socialista.
"O responsável pela Proteção Civil é o primeiro-ministro", sublinhou José Luís Carneiro, apelando a Luís Montenegro para que assuma a responsabilidade pela incapacidade de resposta às necessidades das populações e lembrando que, duas semanas após a Depressão Kristin, há portugueses ainda sem energia e sem água.
José Luís Carneiro afirmou que vai levar estas questões à reunião com o primeiro-ministro no debate quinzenal desta quarta-feira no Parlamento.
Esta demissão da Sra. Ministra da Administração Interna é a prova da incapacidade do Governo em gerir todas as adversidades que o país tem enfrentado, desde os incêndios ao recente fenómeno das tempestades. É um falhanço evidente de Luís Montenegro que, da saúde à administração…
— André Ventura (@AndreCVentura) February 10, 2026
É membro de várias associações científicas de Direito Público e de Direito Constitucional, disciplinas às quais dedicou toda a sua atividade de investigação e publicação.
Escolas do concelho de Soure encerradas na quarta-feira
As escolas do concelho de Soure, no distrito de Coimbra, estarão encerradas na quarta-feira, devido ao agravamento das condições meteorológicas nas próximas horas, informou hoje o presidente da Câmara Municipal de Soure, Rui Fernandes.
"Temos uma previsão de agravamento das condições meteorológicas nas próximas horas, no momento em que já temos um caudal de cheia muito significativo. Assim, tomámos a decisão de encerrar as escolas", destacou.
Num vídeo difundido na rede social Facebook, há cerca de uma hora, o autarca revelou que a decisão foi tomada em coordenação com todos os órgãos de proteção civil.
"Queremos que esta maneira seja a forma mais segura de encararmos a próxima noite e o dia de amanhã [quarta-feira], onde de facto temos uma previsão muito severa em relação às condições meteorológicas", justificou.
Rui Fernandes pediu ainda, aos munícipes que estão perto da situação dos leitos de cheia, para fazerem "um esforço suplementar" para salvaguardarem os seus bens e para que não correrem riscos desnecessários.
"É ainda tempo de continuarmos vigilantes, de sermos resilientes a estas cheias que têm sido tão dolorosas para todos nós", concluiu.
Chuva está a provocar derrocadas e aluimentos de terra
Pelo menos 23 pessoas ficaram desalojadas em Ponte da Barca, no Alto Minho. A saturação e deslocação dos solos é o que mais preocupa as autoridades. Várias pessoas ficaram também isoladas e sem poder sair de casa em Vila Nova de Gaia.
Leiria tem um novo centro de apoio
Nas primeiras quatro horas foram atendidas 200 pessoas. São 16 gabinetes que funcionam como uma Loja do Cidadão.
Tempestades fizeram mais de 1.200 desalojados por todo o país
Para ajudar a resolver o problema, o Governo criou um programa para garantir alojamento temporário a famílias que ficaram sem condições. Famílias como o caso de uma mãe que com um recém-nascido ficou sem casa.
Homem arrastado pelas águas do Rio Antuã foi resgatado com vida
A subida do nível do rio levou ao encerramento de dezenas de estradas. A Linha do Norte ficou debaixo de água em Estarreja. Centenas de pessoas foram obrigadas e suspender a viagem de comboio.
SATA Air Açores cancelou 34 voos entre as ilhas do arquipélago
Segundo adiantou fonte oficial da SATA à agência Lusa, foram cancelados 34 voos interilhas (informação atualizada até às 18:00), o que significa "mais de metade da operação" da companhia aérea que costuma realizar cerca de 50 voos por dia nesta altura do ano.
A mesma fonte adiantou ainda que os passageiros foram reafetados em outras ligações, estando prevista a realização de voos extraordinários na quarta-feira para repor o tráfego, caso as condições meteorológicas permitam.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu um aviso amarelo para as ilhas do grupo Ocidental dos Açores (Corvo e Flores) até às 09:00 de terça-feira, que sucede a um aviso laranja, o segundo mais grave, por agitação marítima.
Esteve também em vigor, até às 18:00 de hoje, um aviso amarelo, devido às previsões de precipitação, por vezes forte, para o grupo Central (Terceira, Graciosa, Faial, São Jorge e Pico).
O plenário de fevereiro da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), que estava agendado para esta semana, também foi adiado devido ao mau tempo.
"Na sequência dos constrangimentos provocados pelas condições meteorológicas adversas, que têm condicionado significativamente os voos interilhas, a conferência de líderes deliberou o adiamento do período legislativo do mês de fevereiro", indicou a presidência da ALRAA numa nota enviada às redações.
Cerca de 250 pessoas recorreram ao gabinete "Reerguer Leiria" no primeiro dia
Cerca de 250 pessoas recorreram hoje, no primeiro dia de funcionamento, ao gabinete "Reerguer Leiria", um espaço para apoiar munícipes, instituições e as atividades económicas do concelho afetadas pela depressão Kristin, revelou o Município.
O gabinete, instalado no Mercado de Sant`Ana, funciona das 09:00 às 18:00, com atendimento organizado através de sistema de senhas, e reúne, "num único espaço, informação, esclarecimentos e encaminhamento em várias áreas", de acordo com uma nota de imprensa da autarquia.
"Estão disponíveis apoios a particulares na área da habitação, com orientação para a recuperação de habitações afetadas, bem como medidas dirigidas às empresas e ao comércio, com vista à recuperação da atividade económica", explicou o município.
No espaço, é também prestado "apoio às instituições de solidariedade social e coletividades, ajudando na retoma da sua atividade".
O gabinete conta igualmente com "a colaboração de advogados, que prestam apoio na orientação e no preenchimento das participações de sinistros junto das empresas seguradoras, assim como no reporte de prejuízos nas plataformas criadas para o efeito".
São seis as áreas disponíveis no Mercado de Sant`Ana: medidas de apoio para particulares ao nível da habitação, para empresas, e para instituições sociais e coletividades, estando ainda presentes a Segurança Social, Autoridade Tributária e Balcão Único de Atendimento da Câmara Municipal.
Rio Ceira continua a subir e volta a inundar casas no Cabouco, em Coimbra
O rio Ceira, no concelho de Coimbra, voltou a subir durante a tarde de hoje, inundando várias casas no Cabouco, de onde os habitantes já tinham sido retirados aquando das primeiras inundações, disse o presidente da Junta.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Ceira, Fernando Almeida, explicou que o rio avançou cerca de 30 metros durante a tarde de hoje.
"Tinha estado aqui a seguir ao almoço, pelas 14:30, e a água avançou para aí uns 30 metros. Em altura não sei precisar quanto subiu, mas em comprimento eu conseguia andar mais de 30 metros e agora já tem água", detalhou.
Fernando Almeida encontrava-se, pelas 18:00, na rua da Lomba, no Cabouco, no local onde costumam ocorrer as inundações.
"Neste sítio acontece sempre, as pessoas já sabem que é assim e só duas ou três é que ficam nas suas casas, que são altas. Aí a água não chega, nem que suba para aí um metro, têm os andares de cima: ficam por livre vontade, têm alimentação e não estão em perigo", referiu.
A maior subida dos níveis de água do Rio Ceira registou-se "há cerca de 15 dias, com a tempestade Kristin".
"Subiu em altura mais ou menos um metro! Na semana passada também subiu, mas não foi tanto", descreveu.
De acordo com o autarca, o Rio Ceira deverá subir ainda mais nas próximas horas, perspetivando "uma noite muito trabalhosa".
PS/Aveiro quer suspensão imediata de portagens na A29 em Estarreja
O deputado socialista Hugo Oliveira, que preside à Federação Distrital de Aveiro do PS, exige a suspensão imediata do pórtico de portagens da autoestrada A29 entre Avanca e Salreu, devido ao estado de calamidade no concelho de Estarreja.
Em declarações à Lusa, o deputado refere que a Estrada Nacional 109 está interrompida em alguns pontos, o que impede a circulação de pessoas e viaturas de empresas naquela zona do distrito de Aveiro, por falta de vias alternativas transitáveis.
O presidente da Federação Distrital de Aveiro do PS defende que o Governo já deveria ter agido perante a situação previsível de agravamento das condições climatéricas na região.
Hugo Oliveira recorda a existência de precedentes noutras zonas do país para sustentar a aplicação de uma medida de isenção imediata de portagens para as populações afetadas.
Mais de 50 explorações suinícolas sem energia elétrica em Leiria
Mais de 50 explorações suinícolas da zona norte do concelho de Leiria estavam hoje à tarde ainda sem energia elétrica e a ser abastecidas por geradores, lamentou o presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores.
David Neves, que também preside a Associação de Suinicultores de Leiria, disse à agência Lusa que a reposição da energia elétrica está a ser mais difícil de concretizar nessa parte do concelho, onde os suinicultores estão "a dar as condições possíveis aos animais para que morram o mínimo possível".
A solução tem passado pelo recurso a geradores, que implicam "um custo brutal" de, "em média, mais de 500 euros por dia a cada exploração", entre aluguer e combustível, frisou.
Segundo David Neves, apesar dos custos elevados, esta "tem sido a única forma de conseguir abastecer os animais de água e alimentos".
Na sua opinião, a E-Redes deveria fazer um ponto de situação ao final de cada dia, explicando o trabalho já feito e o previsto para o dia seguinte, de forma que os produtores pudessem gerir os alugueres dos geradores e garantir o combustível necessário.
O responsável disse não ser possível, para já, fazer um balanço do prejuízo, porque "as comunicações continuam muito difíceis para o norte do concelho de Leiria".
"Algumas pessoas estão a deslocar-se à sede da associação de Leiria até para fazer o registo das ocorrências", contou, admitindo que os prejuízos atinjam "largas dezenas de milhões de euros".
O presidente da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores afirmou que "a situação mais crítica é mesmo no concelho de Leiria" e que, "na zona de Lisboa e Vale do Tejo, mais a Sul do concelho de Leiria, também há algumas dificuldades, com muitas explorações danificadas, mas algumas já com energia".
Questionado sobre as linhas de apoio anunciadas na semana passada pelo ministro da Agricultura e Pescas, David Neves considerou que, "nesta primeira fase, como resposta imediata, são positivas", mas "para poderem ser eficazes têm de ser rápidas".
"Sabemos que até à data de hoje já foram publicadas algumas portarias. Algumas linhas ainda não estão regulamentadas, aguardam a regulamentação. Se não houver celeridade neste processo, pomos em causa uma parte significativa da produção nacional", avisou.
O responsável lembrou que a região tem essencialmente pequenas e médias explorações e, "no contexto de uma catástrofe nunca vista, é importante que tenham condições para fazer face às necessidades do momento", porque "há um acréscimo substancial de custos".
Uma situação que considera preocupante tem a ver com a necessidade urgente de as linhas relacionadas com a reconstrução das unidades ficarem disponíveis.
"As estruturas de cobertura das explorações sofreram muito e não existe a possibilidade de imediatamente satisfazer as necessidades. As pessoas têm de fazer encomendas às empresas, que legitimamente lhes exigem o pagamento antecipado", explicou, frisando que se trata de "milhares de euros por cada exploração".
Risco mais significativo de inundações está no rio Mondego
“Para as populações que vivem nas imediações do rio e que sabem já por histórico que poderá haver um potencial galgamento das margens e, com isto, influência direta nas suas habitações e bens, que tomem todas as medidas preventivas para que possam abandonar as suas casas”, recomendou.
Segundo a Proteção Civil, o rio Tejo “está numa situação mais estável”, mas “não deixa de ser um risco e não deixa de ser preocupante”.
Há já registo de 14.084 ocorrências, sendo as mais comuns queda de árvores, movimentos de massa e inundações.
Mário Silvestre adiantou ainda que o homem resgatado do rio em Estarreja ficou com ferimentos leves.
Três prédios evacuados no bairro da Graça devido a deslizamentos de terra
No bairro da Graça, em Lisboa, três prédios situados em cima de uma encosta foram evacuados devido ao risco de derrocada iminente devido às chuvas persistentes, que provocaram deslizamentos de terra.
Uma moradora contou à RTP que uma das derrocadas aconteceu na quarta-feira e que passados três dias deu-se uma outra muito perto. Ana disse ter contactado a Proteção Civil e a polícia, que "veem e parecem completamente descoordenados".
"Estamos todos um pouco sem saber o que fazer. Dão recomendações, dizem que vão fazer relatórios, mas que não podem fazer mais do que isso", lamentou.
O presidente da Junta de São Vicente, André Biveti, disse por sua vez que a Proteção Civil ainda hoje se deslocou ao terreno. "Isto é uma questão estrutural e que, no fundo, necessita de obras muito, muito profundas", explicou.
"A Proteção Civil disse-nos que neste momento era impraticável fazer essas obras, mas é importante que isto não seja esquecido", disse o presidente da Junta.
"Neste momento estamos à espera para falar com a Câmara Municipal [de Lisboa], que parece mostrar-se disponível", acrescentou.
Catorze dias assim. Câmara de Leiria lamenta milhares de pessoas ainda sem eletricidade
O presidente da Câmara de Leiria lembra a criação do espaço 'Reerguer Leiria' no Mercado de Santana: um espaço polivalente para ajudar as pessoas a resolver as candidaturas aos apoios criados para as vítimas da intempérie.
Foto: António Pedro Santos - Lusa
De acordo com as contas de Gonççalo Lopes, há 14 mil contadores sem eletricidade, mas o número de pessoas afetadas será muito superior, já que cada contador serve vários clientes.
Face a estas situações, o autarca diz que "há um trabalho que iniciámos que é de auxílio à preparação das candidaturas para apoios à reabilitação das casas".
"Criámos hoje o gabinete 'Reerguer Leiria', fica no Mercado de Santana, é um espaço polivalente, funciona numa lógica de Loja do Cidadão, tentamos incluir neste espaço vários guichets de resposta", adiantou o autarca, explicando que a câmara espera ajudar as pessoas a resolverem no próprio dia a sua candidatura aos apoios criados para as vítimas da intempérie.
Arruda dos Vinhos. Autarca descreve "cenário dantesco, de autêntica atividade sísmica"
O presidente da Câmara de Arruda dos Vinhos disse esperar que o Governo declare a situação de calamidade neste município e que avance com apoios para ultrapassar os danos causados pelo mau tempo.
O autarca disse ainda que, quando o ministro das Infraestruturas esteve em Arruda dos Vinhos e visitou um dos troços mais afetados, a estrada do Lapão, mostrou-se “sensível àquela situação de catástrofe”.
“Está completamente destruída. É um cenário dantesco, de autêntica atividade sísmica”, lamentou Carlos Alves.
O presidente da Câmara espera que o Executivo conceda apoios rapidamente. “O Governo central tem aqui um papel fundamental para aquilo que é a fase seguinte (…), que é dar respostas para tornar circuláveis estas vias”, apelou.
Carlos Alves disse ainda que se mantém o risco de derrocadas e que há registo de 22 habitações que sofreram danos.
Além disso, muitas pessoas continuam sem eletricidade e água. Os serviços, nomeadamente escolas, continuam a enfrentar dificuldades.
Há também 61 desalojados, com a autarquia a prestar apoio psicológico aos habitantes que atravessam situações mais duras.
Exército garante que respondeu "no próprio dia" ao primeiro pedido feito
Estão atualmente no terreno 2853 militares em 41 concelhos.
Homem resgatado pelos bombeiros no rio Antuã "possivelmente num estado de hipotermia"
“Não temos pormenores do que aconteceu. Houve um alerta de alguém que ouviu uma pessoa que estava dentro de água a pedir socorro, e daí espoletou-se a situação”, disse aos jornalistas José Marques, vereador da Proteção Civil de Estarreja.
“Foi resgatado, está bem, possivelmente num estado de hipotermia, porque garantidamente não é o momento mais agradável para andar dentro de água”, adiantou.
Inundações em Eiras no concelho de Coimbra afetaram sete habitações
"Tínhamos tido o colapso de uma ponte e, entretanto, tivemos uma barreira que caiu e que trouxe uma série de detritos que veio a bater neste colapso desta ponte, criando uma inundação. A ribeira acabou por galgar a margem", afirmou Luís Correia.
O autarca adiantou que foi necessário "partir o bordo da estrada para o rio", para que este pudesse "voltar ao seu normal curso", sendo que há ainda preocupações com uma parte da habitação que está localizada junto à ponte.
"Estamos agora a tentar protegê-la, porque ela está a escavar por baixo e estamos com medo que também acabe por ruir", indicou.
"Se ela cair para dentro da ribeira vai fazer novo dique. Podemos voltar a ter exatamente o mesmo problema", acrescentou.
De acordo com Luís Correia, as inundações registadas hoje afetaram sete habitações.
"Os danos não são de maior, ninguém ficou desalojado, com exceção da família que já estava. Ainda estão a avaliar danos", referiu.
Lusa
Depressão Nils traz chuva e vento fortes apesar de não afetar diretamente Portugal
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou hoje que são esperados, na quarta-feira, chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que não irá afetar diretamente Portugal continental.
Num comunicado, o IPMA refere que o continente português "não será influenciado diretamente pela depressão Nils", que "tem associado um sistema frontal que transporta uma massa de ar quente e húmido para a Península Ibérica".
"Assim, para dia 11 está prevista chuva persistente e por vezes forte nas regiões Norte e Centro, sendo menos intensa na região Sul", acrescenta o instituto.
De acordo com o IPMA, o vento irá soprar por vezes forte, com rajadas até 75 km/h, podendo atingir 100 km/h nas terras altas, em particular nas regiões a norte do rio Mondego.
Quanto à agitação marítima, "continua forte na costa ocidental", prevendo-se ondas de noroeste com 4 a 6 metros de altura significativa, podendo atingir 11 metros de altura máxima a norte do Cabo Mondego.
O IPMA já emitiu avisos amarelo e laranja para chuva, vento e agitação marítima.
Estão com aviso laranja devido à previsão de chuva "persistente e por vezes forte" os distritos de Coimbra, Viseu, Porto, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro e Braga.
Há ainda 35.000 clientes sem energia nas zonas afetadas pelo mau tempo
Em todo o território continental existe um total de 46 mil clientes sem energia, segundo o comunicado da E-Redes.
Alvaiázere ainda com "muitas centenas" de casas sem luz
O concelho de Alvaiázere, no distrito de Leiria, terá ainda "muitas centenas, se não milhares" de habitações sem luz, alertou hoje o presidente da Câmara, defendendo mais meios no terreno para resolver as ligações de baixa tensão.
"Enquanto nós estávamos a trabalhar mais na média tensão, tínhamos noção de quantos clientes é que aqueles postos abasteciam. Agora, diria que pelo número de reclamações que estamos a ter, temos muitas centenas se não alguns milhares de habitações ainda por fazer a ligação à rede elétrica", afirmou à agência Lusa João Guerreiro.
Apesar de os problemas de média tensão estarem resolvidos, o autarca explicou que falta fazer as ligações a habitações, num concelho com centenas de quilómetros de linhas de baixa tensão afetadas.
"Não é fácil explicar às pessoas porque é que o vizinho tem e eles não têm, porque é que já existe iluminação pública e a casa deles não tem. São questões técnicas que estamos a tentar ultrapassar e dar resposta o mais rapidamente possível", aclarou.
Perante a situação de pessoas que estão há 14 dias sem luz, João Guerreiro salientou que o município pediu à E-Redes "disponibilização de mais equipas de baixa tensão" para resolver os vários problemas que existem no terreno, considerando que os recursos, neste momento, são escassos.
"O que precisamos muito, muito nesta altura são equipas de baixa tensão para fazer estas últimas ligações porque sem elas muitas habitações e algumas empresas não têm acesso à eletricidade", vincou, referindo que, neste momento, o concelho tem apenas três equipas de baixa tensão a trabalhar.
Se se mantiverem apenas três equipas de baixa tensão, o autarca acredita que em vez de falar de dias para resolver os problemas ainda existentes terá de pensar em semanas, numa altura em que a frustração de quem está sem luz continua a acumular-se.
"Vamos ter aqui alguns casos em que estaremos a falar de semanas, porque são territórios bastante dispersos, em que às vezes uma linha que alimenta três ou quatro casas está atingida em cinco ou seis pontos e tem 10 quilómetros de linha", notou.
O autarca, que antes de falar com a Lusa atendia ao pedido de um munícipe de 91 anos que lhe perguntava porque é que ainda não tinha luz, contou que há "pessoas isoladas, idosas, que estão desesperadas com a situação".
Além de no passado ter havido riscos de queda de telhados e de intoxicação por monóxido de carbono face à passagem da depressão Kristin, João Guerreiro alertou para os riscos que agora surgem com linhas de baixa tensão em carga.
Segundo o presidente da Câmara de Alvaiázere, a intervenção de emergência nas habitações afetadas já foi feita "em quase todas as casas", o abastecimento de água está assegurado e as comunicações começam a recuperar, "embora ainda com algumas falhas".
Pelo menos 12 estradas continuam cortadas em Estarreja
Neste momento não há habitações em risco. A preocupação é manter as vias de comunicação abertas, numa altura em que novas chuvas conjugadas com a subida da maré podem trazer novas inundações.
Risco de novas derrocadas em Ponte da Barca
Carnaval das Caldas da Rainha cancelado
“Esta decisão reflete a necessidade de priorizar a segurança e o apoio às populações afetadas, uma vez que, neste momento, ainda existem pessoas cujas necessidades básicas não estão asseguradas”, refere um comunicado.
Considerando que “o período que se vive atualmente é incompatível com o ambiente de festa e celebração”, o município refere que o Carnaval “regressará em 2027, com as condições necessárias para ser vivido em pleno”.
Caudal do Mondego registava mais de 1.700 metros cúbicos por segundo às 14:00
O caudal do rio Mondego na ponte-açude de Coimbra registava, pelas 14:00 de hoje, 1.741 metros cúbicos por segundo (m3/s), um dos maiores valores desde que as inundações atingem, há mais de uma semana, o Baixo Mondego.
No início da passada semana, os caudais que passam no açude-ponte - onde o rio Mondego entra no trajeto canalizado que vai de Coimbra à Figueira da Foz -- chegaram a ultrapassar os 1.800 m3/s, mas numa altura em que não chovia e em que os campos agrícolas estavam longe da inundação que agora se verifica.
A meio da tarde de domingo, o caudal que sai (efluente) da Ponte-Açude, começou a baixar, dos 1.507 m3/s até aos 1.264 m3/s (menos 243 mil litros por segundo) registados às 14:00 de segunda-feira, segundo dados do portal Info Água, consultados pela agência Lusa.
No entanto, nas últimas 24 horas e praticamente sem que a chuva, embora fraca, desse tréguas, o caudal voltou a subir, cifrando-se, pelas 14:00 de hoje, nos 1.741 m3/s (mais 477 mil litros por segundo) face à mesma hora de segunda-feira.
Acresce que os descarregadores da margem direita do Mondego -- três infraestruturas da obra hidráulica do rio, que permitem retirar água do canal principal para os campos agrícolas -- estavam hoje a funcionar, embora não na plenitude, revelam imagens captadas no local.
A água descarregada do canal principal acaba por acumular e correr para jusante, em direção ao leito abandonado do Mondego e valas de drenagem, sendo parcialmente responsável pelo isolamento da povoação da Ereira há uma semana e por alguma água acumulada no centro de Montemor-o-Velho.
Segundo a mesma fonte de dados, a bacia do Mondego voltou hoje a estar em situação de alerta de cheias -- o menos gravoso de dois níveis, sendo o mais grave a situação de risco -- embora com quatro episódios a montante de Coimbra a merecerem atenção.
Um desses episódios acontece na estação hidrométrica da Ponte do Cabouco, no rio Ceira (afluente da margem esquerda do Mondego), registava, pelas 16:00, 4,47 metros de altura de água (bem acima do mínimo de 3 metros do nível de risco) e um caudal de 193 m3/s.
Também no nível de risco estavam a ponte da Conraria, no mesmo rio, situada a pouco mais de um quilómetro da foz do Ceira, cuja altura de água se situava, pelas 16:15, nos 6,46 metros (1,46 metros acima do nível mínimo de risco de 5 metros) e um caudal de 471 m3/s, que estará a provocar uma pressão acrescida ao caudal da ponte-açude de Coimbra.
Já a ponte de Santa Clara, na baixa de Coimbra, voltou hoje à situação de risco, apresentando, pelas 16:00, um caudal com 3,88 metros de altura.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem vindo a fazer uma gestão de cheia controlada, aplaudida em geral, no Baixo Mondego, por agricultores e autarcas, no sentido de evitar que as margens do Mondego quebrem, o que sucedeu em 2001 com resultados catastróficos e, mais recentemente, em 2019, com uma cheia limitada à margem direita.
No entanto, continua a existir o risco de os diques direito ou esquerdo do canal principal do rio poderem rebentar, face à pressão que a água exerce naquelas infraestruturas e o tempo decorrido desde o início desta crise -- cerca de 10 dias -- com caudais médios da ordem dos 1.500 m3/s.
Sete associações querem medidas de médio prazo para empresas da Região de Leiria
Sete associações defenderam hoje medidas de médio prazo para apoiar as empresas da Região de Leiria afetadas pelo mau tempo, considerando que, após a primeira intervenção, centenas continuarão severamente danificadas.
Num comunicado conjunto enviado à agência Lusa, as associações, de vários setores de atividade, começam por salientar que o rasto de destruição da depressão Kristin, em 28 de janeiro, "em casas, empresas, edifícios, espaços públicos e infraestruturas críticas, como a rede elétrica ou de comunicações, atingiu proporções inimagináveis".
Realçando a resposta das diversas entidades e de voluntários, as subscritoras referem-se depois às medidas de apoio disponibilizadas pelo Governo.
"Cabe-nos agora assegurar que estas medidas são implementadas sem demora e com resultados concretos para as empresas da região", afirmam as associações, garantindo, por outro lado, que estão "a identificar e a propor medidas adicionais" de forma a assegurar que "os apoios às empresas são verdadeiramente eficazes, céleres e operativos", para uma "efetiva retoma da atividade".
Contudo, antecipam que, "quando esta primeira e imediata intervenção estiver concluída, permanecerão ainda centenas de empresas severamente danificadas e milhares de pessoas a sofrer prejuízos indiretos de toda esta calamidade".
Por isso, importa "começar desde já a pensar o futuro, a encontrar mecanismos de cooperação e a promover medidas de médio prazo para apoio às empresas", sustentam.
"Se soubermos transformar esta calamidade numa oportunidade, será possível reerguer uma Região de Leiria mais forte, mais resiliente, mais moderna e mais competitiva, construindo um futuro mais sustentável para todos", defendem.
Nesse sentido, estão a "identificar desafios e pensar uma visão conjunta de futuro, transformando ideias em propostas concretas e afirmando a ambição de exigir mais e de construir novos caminhos para um futuro mais forte, capaz, justo e sustentável para a região".
Sem esquecer a urgência do momento, cuja prioridade é "ajudar empresas na utilização das medidas disponíveis e na resolução dos problemas imediatos", as subscritoras querem "ser um farol de esperança, ajudando a construir um futuro sólido e sustentável para a região".
Neste trabalho conjunto, as sete associações empresariais contam com Politécnico de Leiria, incubadoras, centros tecnológicos, autarquias e Estrutura de Missão para a Recuperação das Zonas Afetadas pela depressão Kristin.
As subscritoras são as associações de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria (Acilis), Empresarial do Concelho de Pombal (AEPOMBAL), e Regional dos Industriais de Construção e Obras Públicas de Leiria e Ourém (Aricop).
A Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara de Comércio e Indústria (NERLEI CCI), Associação Nacional da Indústria de Moldes (Cefamol) e associações portuguesas da Indústria de Plásticos (APIP) e das Indústrias de Cerâmica e Cristalaria (APICER)estão também no grupo.
Cáritas de Leiria já angariou mais de 1,4 milhões de euros
A Cáritas de Leiria já procedeu à distribuição de 60 toneladas de alimentos e apoiou diretamente 547 famílias através da entrega de cabazes alimentares nas suas instalações.
Paralelamente, mantém-se no terreno, “com equipas técnicas a desenvolver um trabalho de proximidade, contando com a colaboração da Cáritas Diocesana de Lisboa”, lê-se em comunicado.
Novas inundações em Soure devido à subida dos rios
O concelho de Soure voltou hoje a registar inundações devido à subida do caudal dos rios e a localidade de Sobral ficou parcialmente isolada, disse o presidente da Câmara.
Hoje, a situação no concelho "está pior, com os níveis de cheia muito altos", e, na localidade de Sobral, "foram os Fuzileiros a levar as crianças para a escola".
"Nos outros sítios estamos a conseguir fazer [o transporte] com alternativas terrestres. No Sobral é que temos algumas situações em que as casas estão mesmo isoladas no meio da água. Só mesmo com os botes", afirmou Rui Fernandes à agência Lusa, realçando que apenas "algumas casas" da localidade estão isoladas.
Os rios Arunca e Anços "subiram outra vez" hoje, verificando-se inundações no centro da vila de Soure, disse o autarca, notando que a situação das povoações à volta do rio Mondego é também "muito difícil".
"Cada vez são mais as estradas cortadas", salientou.
A autarquia está a avaliar a retirada de uma pessoa devido aos danos na cobertura de uma casa na localidade de Gabrieis, que não foi possível reparar.
De acordo com Rui Fernandes, a previsão é a de que a situação piore, face às notícias que chegam do rio Mondego, com o reporte de um caudal no rio Ceira "que as pessoas nunca viram".
"Temos muita chuva e vamos manter o Anços e o Arunca a subir também. A previsão para as próximas horas é de agravamento e, para complicar as coisas mais, parece que na quarta-feira ainda temos muita chuva", concluiu.
Cheia no Baixo Mondego poderá impedir produção de arroz
A situação de cheia que dura há mais de uma semana no Baixo Mondego, com cerca de 6.000 hectares inundados, poderá impedir a produção de arroz, cuja sementeira começa em abril, perdendo-se 30 mil toneladas daquele cereal.
A previsão foi feita à agência Lusa por José Pinto Costa, um dos maiores produtores de arroz do Baixo Mondego, que, olhando para a eventual subida dos custos de produção, acrescidos dos investimentos necessários para fazer face aos prejuízos das cheias e da depressão Kristin, admitiu a possibilidade de não avançar, este ano, para a sementeira, por poder não compensar.
"Quanto mais tarde instalarmos a cultura, menor vai ser a produção média por hectare, a perspetiva das 30 mil toneladas pode cair para as 20 mil. E já sabemos que os custos de produção vão aumentar novamente e, portanto, ponderamos seriamente se vale a pena ir para o terreno ou não", frisou o empresário agrícola da freguesia de Maiorca, concelho da Figueira da Foz.
"Estamos a fazer as nossas contas e a ponderar seriamente se vale a pena avançar com a cultura do arroz na próxima campanha", reafirmou José Pinto Costa.
A água acumulada nos campos agrícolas -- que, em alguns locais, ultrapassa dois metros de altura -- vai fazer com as culturas sejam instaladas "muito mais tarde" no terreno, antecipando "graves problemas" na campanha do arroz que começa em abril.
Para além das inundações, observou que há agricultores com armazéns danificados pela passagem da depressão Kristin, e que têm os terrenos "totalmente inundados, sem saberem daqui por quanto tempo podem entrar nas suas propriedades agrícolas".
"E as infraestruturas de rega e de drenagem não sabemos o que acontece e em que estado estarão quando a água descer", vincou o também presidente da Associação de Beneficiários da Obra de Fomento Hidroagrícola do Baixo Mondego.
"Está um cenário futuro bastante complicado. De há dois anos para cá vimos a perder rendimento, há dois anos perdemos 25%, o ano passado voltámos a perder, e agora, com estas perspetivas, com este cenário que temos, não sabemos o que vai acontecer", argumentou José Pinto Costa.
Do lado do milho, mas também dos produtos hortofrutícolas -- as três principais culturas do Baixo Mondego - a situação é idêntica: Armindo Valente já produziu arroz, mas, de há uns anos para cá, aposta apenas no milho, planta cuja cultura se inicia em finais de março, princípios de abril.
Depois há ainda problemas na batata, cultura habitualmente instalada em finais deste mês, início de março, e cujos agricultores "estão sem saber o que fazer" e "sem condições", face a tanta água nos campos.
Com décadas de experiência na agricultura, Armindo Valente é uma das vozes mais conhecedoras e respeitadas na planície agrícola. O também vice-presidente da associação de regantes considerou ser ainda prematuro antecipar o que sucederá face à situação de cheia que teima em não largar o Baixo Mondego, avisando, no entanto, que "se isto continuar mais uma semana ou duas, a situação leva a que não se consiga entrar em algumas zonas dos arrozais".
"O arroz [os terrenos onde se cultiva] está praticamente todo debaixo de água. Como são os terrenos com cotas mais baixas, são os que têm neste momento mais água. Ninguém sabe o que vai acontecer, mas isto pode pôr em causa a produção no Baixo Mondego e não só no arroz", avisou.
"Está toda a gente à espera que venha o bom tempo e isto se resolva, mas a situação começa a ser preocupante para algumas culturas", antecipou Armindo Valente.
A inundação dos campos afeta o vale central do Mondego, na margem direita do rio, mas também os vales secundários da margem esquerda, por onde correm os rios Ega, Arunca e Pranto, nos concelhos de Montemor-o-Velho, Soure e Figueira da Foz, distrito de Coimbra.
A única zona que não está totalmente coberta de água são os campos agrícolas localizados mais perto de Coimbra, embora, também aí, as preocupações cresçam.
"Aqui mais a montante, a situação poderá ser menos gravosa, mas também está a ficar tudo cheio de água", notou João Grilo, produtor de arroz e milho, com uma propriedade de cerca de 100 hectares, localizada entre São Martinho da Árvore e São Silvestre, no concelho de Coimbra.
Por estes dias, João Grilo, que também preside à Associação de Agricultores do Vale do Mondego, vai olhando as infraestruturas adjacentes ao canal principal do Mondego - como os três descarregadores da margem direita que voltaram a lançar água para os campos.
"Temos de deixar passar isto [as cheias]. Mas já sabemos que mais custos vão existir, estamos a viver tempos muito difíceis e sem rendimento nenhum, não sabemos se vamos ter capacidade de semear ou não. O que sabemos é que vai ter de existir um antes e um depois desta situação no Baixo Mondego", enfatizou.
Cauteloso, João Grilo, aguarda para perceber a dimensão dos prejuízos: "Só depois das águas baixarem e ficar tudo a nu, é que vamos ver", defendeu.
Também hoje, em comunicado, a Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO) considerou que os prejuízos causados pelas tempestades na agricultura e floresta "foram avultados", sendo que na horticultura, "ultrapassam o meio milhão de euros", para além de destruição de telhados de armazéns agrícolas, de dezenas de estufas, assim como milhares de árvores e oliveiras arrancadas.
A ADACO disse ser "urgente o rápido levantamento dos prejuízos junto dos agricultores", a simplificação dos processos administrativos e que as indemnizações e apoios cheguem aos destinatários de forma célere, defendendo apoios a fundo perdido por parte do Governo.
Primeiro-ministro responde amanhã no Parlamento sobre atuação do Governo
O primeiro-ministro regressa na quarta-feira ao Parlamento para um debate quinzenal que deverá ficar marcado pela resposta do Governo às consequências do mau tempo que causou 15 mortes nas últimas duas semanas.
Com parte do país (68 concelhos) em situação de calamidade até domingo, Luís Montenegro responderá, pela primeira vez, na Assembleia da República à oposição, que criticou a atuação do executivo, sobretudo na fase inicial de resposta à depressão Kristin, com vários partidos a pedirem a demissão da ministra da Administração Interna.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
O debate quinzenal realiza-se ainda três dias depois da eleição do novo Presidente da República, o antigo secretário-geral do PS António José Seguro, que venceu com quase 67% e 3,48 milhões de votos, quando faltam votar 20 freguesias, de oito municípios, que pediram o adiamento do sufrágio para o próximo domingo devido ao mau tempo.
O outro candidato, o presidente do Chega, André Ventura, obteve mais de 1,7 milhões de votos (cerca de 33%), o que o levou a autointitular-se no domingo "líder da direita.
Já o primeiro-ministro defendeu no domingo que "nada mudou" para a governação com esta eleição presidencial e insistiu, por várias vezes, que se abre agora um período de 3,5 anos sem eleições nacionais, referindo-se ao final previsto da legislatura, no outono de 2029.
O debate quinzenal abrirá com uma intervenção inicial de Luís Montenegro, e André Ventura - que retomará o mandato de deputado que suspendeu durante a campanha - será o primeiro a questionar o chefe do Governo, seguindo-se PS, IL, Livre, PCP, BE, PAN, JPP, antes das bancadas que suportam o Governo, CDS-PP e PSD.
Sobre a resposta ao mau tempo, o primeiro-ministro tem defendido que o Governo fez tudo o que era possível desde o início e que este ainda não é o momento de fazer a avaliação do executivo, mas de responder às situações de emergência no terreno.
Nas duas últimas semanas, o Governo realizou dois Conselho de Ministros centrados na resposta ao mau tempo - um extraordinário, a 1 de fevereiro, onde aprovou os primeiros apoios a famílias e empresas, quer para ajuda à subsistência quer à reconstrução das habitações e fábricas destruídas, que o primeiro-ministro estimou totalizaram 2,5 mil milhões de euros.
Na quinta-feira passada, além de ter sido prolongada a situação de calamidade até ao próximo domingo, foi formalizada a isenção de portagens em alguns trechos de autoestradas das zonas afetadas pelo mau tempo e aprovado um regime jurídico excecional e transitório de simplificação administrativa e financeira destinado a viabilizar a reconstrução e reabilitação, sem controlo administrativo prévio.
A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, tem sido o alvo preferencial das críticas da oposição - com vários partidos a pedirem a sua substituição no Governo -, mas estas estenderam-se a outros membros do executivo na gestão da crise, como o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, o da Defesa Nacional, Nuno Melo, ou o da Economia e da Gestão Territorial, Manuel Castro Almeida.
O último debate quinzenal com o primeiro-ministro no Parlamento realizou-se a 21 de janeiro, dominado pelo tema das presidenciais, e o próximo já está marcado para 25 deste mês.
REN já removeu 80% dos cabos e 20% das infraestruturas danificadas
A REN - Redes Energéticas Nacionais já desmontou cerca de 80% dos cabos e 20% das infraestruturas danificadas pela depressão Kristin, prosseguindo os trabalhos de recuperação no terreno e prevendo a reposição integral dos postes "nas próximas semanas".
Em comunicado, a gestora das redes elétricas detalhou que as equipas que estão no terreno desde as primeiras horas - atualmente cerca de 250 trabalhadores e 50 meios pesados - estão a recolher material danificado e a avançar com a reconstrução, em linha com o plano de recuperação definido para repor, com a maior brevidade possível, infraestruturas essenciais do Sistema Elétrico Nacional (SEN).
Nas zonas afetadas, os trabalhos de reconstrução das linhas já foram iniciados, estando as equipas a realizar todos os passos necessários para a abertura de fundações e montagem de novos postes.
A REN assegura ainda já ter aprovisionado uma grande parte dos materiais necessários para estas operações.
"A reposição integral dos postes deverá ocorrer nas próximas semanas, de acordo com um plano que implicou a realocação de equipas para trabalhos considerados prioritários", refere a empresa.
A depressão Kristin provocou a queda ou danos graves em 101 postes de muito alta tensão e deixou fora de operação 774 quilómetros de linhas da Rede Nacional de Transporte de Eletricidade.
"As ações preventivas realizadas antes da chegada da depressão permitiram assegurar a normalidade do abastecimento do SEN, apesar dos danos registados. Não se verificaram interrupções atribuídas às infraestruturas operadas pela REN, exceto cortes localizados na área da Subestação do Zêzere, parcialmente destruída", refere a empresa.
A REN garante ainda que desde a madrugada de 27 de janeiro "várias áreas da empresa estão empenhadas na recuperação total das infraestruturas afetadas, em articulação com a E-Redes, a Red Eléctrica de España, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e outras entidades, incluindo autoridades governamentais".
Aviso laranja de chuva estende-se hoje a Coimbra afetando sete distritos do Norte e Centro
O aviso laranja devido à previsão de chuva "persistente e por vezes forte" estende-se hoje, até às 18:00, ao distrito de Coimbra, além de Viseu, Porto, Vila Real, Viana do Castelo, Aveiro e Braga, informou o IPMA.
Segundo uma atualização dos avisos meteorológicos para Portugal continental, divulgada pelas 14:00, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) indicou que sete distritos do Norte e Centro estão hoje, entre as 07:18 e as 18:00, sob aviso laranja (o segundo mais grave de uma escala de três) por "precipitação persistente e por vezes forte".
Entre hoje e sexta-feira, há avisos meteorológicos para os 18 distritos de Portugal continental, a maioria devido à previsão de chuva, mas também de vento e de agitação marítima, que variam entre o amarelo (o menos grave) e o laranja, sem indicação de avisos vermelhos (o mais grave).
Sob aviso amarelo estão hoje devido à previsão de chuva, até às 18:00, os distritos de Bragança, Guarda, Santarém, Leiria e Castelo Branco, segundo o IPMA, indicando que esses avisos de precipitação se estendem até sexta-feira em Portugal continental.
Na região do Alentejo, há aviso amarelo de precipitação para Évora, entre as 18:00 de quinta-feira às 06:00 de sexta-feira, e para Portalegre, entre as 09:00 de quarta-feira e as 18:00 de quarta-feira e entre as 18:00 de quinta-feira e as 06:00 de sexta-feira.
Devido à agitação marítima, em que se prevê ondas com quatro a cinco metros, estão hoje sob aviso amarelo os distritos de Setúbal (até às 18:00 de hoje), Porto, Viana do Castelo, Aveiro, Coimbra (até às 15:00 de quarta-feira), Lisboa e Leiria (até às 07:00 de sexta-feira).
Entre as 11:00 de quarta-feira e as 15:00 de quinta-feira, há avisos laranjas por agitação marítima, prevendo-se ondas com cinco a seis metros de altura significativa, podendo atingir 11 metros de altura máxima, nos distritos do Porto, Viana do Castelo, Aveiro, Coimbra e Braga.
Sob aviso amarelo de agitação marítima estarão também Faro e Beja, entre as 15:00 de quarta-feira e as 07:00 de sexta-feira, segundo as previsões meteorológicas.
Os avisos amarelos devido ao vento, com rajadas até 75 quilómetros/hora (km/h), sendo até 100 km/h nas terras altas, prevê para quarta-feira, entre as 12:00 e as 21:00, nos distritos de Bragança, Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Castelo Branco e Braga, indicou o IPMA.
Deco Proteste alerta que apoios dos bancos assentam em novos empréstimos
A Deco Proteste alertou hoje que as propostas financeiras criadas por vários bancos, para o apoio aos efeitos do mau tempo assentam, na sua maioria, na contratação de novos empréstimos, que podem "agravar o endividamento das famílias".
Num comunicado, hoje divulgado, a organização explicou que, na sequência da tempestade Kristin e dos danos causados em habitações e bens essenciais, "analisou as propostas de apoio financeiro criadas por vários bancos para responder às necessidades imediatas das populações afetadas".
A principal conclusão da entidade é que "a maioria das soluções apresentadas assenta na contratação de novos empréstimos, o que pode agravar o endividamento das famílias num momento de especial fragilidade financeira".
De acordo com a análise da Deco Proteste, ainda que algumas instituições "apresentem condições temporariamente mais favoráveis, como isenção de comissões ou bonificação de taxas de juro por períodos limitados", estas soluções acabam por se "traduzir em novos créditos que terão de ser reembolsados".
Por outro lado, várias destas propostas estão "condicionadas à relação prévia com o banco", ou seja, em muitos casos, são dirigidas apenas a clientes da própria instituição.
A Deco Proteste salientou, no entanto, "que o panorama das respostas da banca não está fechado".
"As instituições financeiras têm vindo a acompanhar a evolução da situação no terreno, pelo que poderão surgir novas soluções que ainda não foram divulgadas publicamente nos respetivos `sites` ou canais oficiais", destacou.
A análise da Deco Proteste incidiu sobre as propostas divulgadas, até 05 de fevereiro, pela Caixa Geral de Depósitos, Millennium BCP, Santander, Novo Banco, Abanca, ActivoBank, Crédito Agrícola e Bankinter.
A organização defendeu que os consumidores "devem analisar cuidadosamente qualquer proposta de crédito, não se limitando à prestação mensal, mas avaliando o custo total do empréstimo, nomeadamente através da TAEG" (taxa que mede o custo total de um crédito para o consumidor, expressa em percentagem anual), assim como as condições após o período de bonificação inicial.
A Deco Proteste recordou que "existem medidas públicas de apoio e mecanismos como a moratória legal para crédito à habitação própria e permanente", que podem, em algumas situações, ser "menos penalizadoras do que a contratação de novos empréstimos".
A Deco Proteste aconselhou os consumidores a que, antes de avançar com qualquer solução de financiamento, "confirmem junto do seu banco se existem soluções específicas para a sua situação concreta, mesmo que não estejam publicitadas".
Além disso, a entidade apelou aos consumidores para que "comparem propostas de diferentes instituições e não se limitem ao banco onde já são clientes" e analisem o custo total do crédito e não só a redução temporária da prestação.
A Deco Proteste aconselhou ainda a que "ponderem, sempre que possível, alternativas ao recurso a novo endividamento".
Ponte de Louredo que liga Penacova a Vila Nova de Poiares foi encerrada ao trânsito
Meo com 90% do serviço fixo e 93% da rede móvel nas zonas afetadas
Sobe para 20 número de pessoas deslocadas por deslizamento de terras Ponte da Barca
Circulação ferroviária suspensa em troços das linhas do Norte, Sintra, Douro, Oeste, Cascais e Sul
Ansião ainda só conseguiu dar resposta a 250 dos 950 pedidos de ajuda para casas afetadas
Empresas do setor automóvel com "danos significativos"
Tempestade Kristin. BE pede compensação de 180 mil euros por cada morte registada
O Bloco de Esquerda pede uma compensação de 180 mil euros por cada morte registada durante e na sequência da tempestade Kristin. É uma das 10 medidas que querem levar ao Parlamento para proteger as populações e os territórios afetados pela tempestade.
José Manuel Pureza fala de uma justiça reparadora
Há sete distritos de Portugal continental com aviso laranja por causa da chuva
O chamado "rio atmosférico" continua em Portugal.
Ministra do Ambiente lança alerta para encostas e deslizamento de terras
A ministra do Ambiente reconhece que as maiores preocupações agora são as encostas e os deslizamentos de terras. Maria da Graça Carvalho está na zona de Santarém e do Cartaxo e garante que as cheias no Tejo já estão controladas.
Rio Maior. Autarquia receia isolamento de povoações por abatimento de estradas
Com a chegada de mais chuva a autarquia receia que surjam mais abatimentos nas estradas que ainda estão abertas ao transito e que algumas povoações fiquem isoladas.
Fotografias: Câmara Municipal Rio Maior
Resta um único acesso, a única via transitável que realiza o abastecimento público de água à vila, que atualmente está a ser assegurado por autotanques do município e dos bombeiros.
Leiria presta homenagem às vítimas mortais do mau tempo
Uma vigília que, também serviu, para lembrar quem ainda continua sem eletricidade e sem comunicações.
Dezenas de pessoas foram retiradas de casa em Avintes
O Rio Febros galgou as margens. Sete distritos da região Norte e Centro estão com aviso laranja para a chuva forte.
Governo estende prazo para contribuintes afetados pagarem impostos até 30 de abril
O Governo deu mais um mês para os contribuintes dos concelhos afetados pelas tempestade Kristin cumprirem as obrigações fiscais que terminavam entre 28 de janeiro e 31 de março, estendendo o prazo até 30 de abril.
A decisão resulta de um despacho da secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, de 07 de fevereiro, publicado esta semana no Portal das Finanças.
O Governo dispensa os contribuintes "de acréscimos ou penalidades pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais, declarativas e de pagamento cujos prazos terminavam entre os dias 28 de janeiro e 31 de março de 2026, desde que essas obrigações sejam cumpridas até ao dia 30 de abril de 2026", salvaguarda-se no despacho.
O prolongamento abarca quer as obrigações declarativas à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), quer a entrega dos impostos que deveriam ocorrer dentro daquele prazo.
A decisão refere-se a obrigações fiscais como a entrega de IVA, retenções de IRS e IRC, ou o pagamento do Imposto Único de Circulação.
De acordo com o despacho, a extensão "aplica-se aos contribuintes que tenham domicílio fiscal nos concelhos abrangidos pelo âmbito territorial delimitado" pelas resoluções do Conselho de ministros que emitiram declaração de calamidade em 30 de janeiro e em 01 de fevereiro.
Além de abranger os contribuintes singulares, as empresas e outras entidades coletivas localizadas nestes concelhos, a prorrogação aplica-se "aos contribuintes cujos contabilistas certificados tenham sede ou domicílio nos concelhos" afetados "e que invoquem essa situação no momento da apresentação da defesa".
A secretária de Estado dos Assuntos Fiscais assegura que o despacho "será objeto de reavaliação em função da evolução da situação".
O Governo justifica o prolongamento agora decidido com a necessidade de garantir que os contribuintes afetados pelos estragos das tempestades "dispõe de condições adequadas para cumprir as suas obrigações fiscais, evitando que sejam penalizados por atrasos decorrentes desta situação excecional".
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Proteção Civil alerta para previsão de chuva persistente e vento forte
Há risco significativo de inundação no rio Mondego, no Tejo, Sado, Sorraia, o Vouga e no Águeda. Ainda há risco de inundações em ribeiras e afluentes.
Transbordo do rio Coura obriga a corte de estradas e da ponte de Vilar de Mouros
Balneário romano encerrado e estradas cortadas em São Pedro do Sul
Deslizamento de terras destruiu parcialmente casa em Ponte da Barca
Caminha assume estabilização de paredão de Moledo em risco de derrocada
Apoios à reconstrução de casas de até 5.000 euros pagos em três dias úteis
De acordo com a portaria n.º 63-A/2026/1 - publicada na segunda-feira em suplemento do Diário da República e que regulamenta em matéria de habitação própria permanente a resolução do Conselho de Ministros que fixa os apoios a atribuir na sequência da declaração da situação de calamidade - estes serão transferidos para o IBAN indicado pelo requerente, a título de adiantamento ou de reembolso de despesas, contando-se os prazos desde a data de receção da candidatura completa.
Caso o apoio seja atribuído antes da indemnização decorrente de contrato de seguro, quando exista, o requerente deve reembolsar o valor da diferença entre o valor do apoio e o valor da indemnização, no prazo máximo de 15 dias a contar da data em que receber a indemnização.
Nos termos do diploma, são elegíveis as despesas com obras e intervenções necessárias à reparação, reabilitação ou reconstrução de habitação própria e permanente, sendo o seu valor determinado com base em estimativa elaborada sob a responsabilidade técnica dos serviços municipais ou de outra entidade contratada para o efeito.
O apoio para cada operação é de 100% da despesa elegível remanescente após dedução de indemnizações de seguro e outros apoios, caso existam, com o limite global de 10.000 euros por fogo habitacional.
Até ao montante de 5.000 euros é dispensada vistoria ao local, podendo a estimativa basear-se em registo fotográfico ou de vídeo apresentado pelo requerente.
A regulamentação agora publicada determinada ainda que a CCDR territorialmente competente valida, a título sucessivo, a estimativa apresentada, podendo para o efeito escolher uma amostra de candidaturas apresentadas ou solicitar as avaliações produzidas pelos serviços municipais ou por entidade contratada.
Também estabelecido é que os serviços municipais podem solicitar a articulação com as juntas de freguesia e a CCDR territorialmente competente de forma a assegurar o bom andamento dos processos de atribuição dos apoios.
O pedido de apoio é formalizado eletronicamente através de um formulário próprio, disponibilizado na plataforma eletrónica anunciada nos sítios eletrónicos do Governo e da CCDR territorialmente competente.
Caso tal não seja possível, é também possível apresentar a candidatura fisicamente, preenchendo o formulário próprio disponível nas câmaras municipais e nas juntas de freguesia, que deve ser posteriormente submetido por via eletrónica à CCDR por via eletrónica, utilizando a plataforma.
Podem beneficiar dos apoios os titulares de habitação própria e permanente ou arrendatários com contrato de arrendamento devidamente formalizado que tenham a situação tributária regularizada.
Distrito de Aveiro com 28 vias interditas ou condicionadas
"É urgente tornar o nosso país mais resistente". Ministra do Ambiente visita concelho de Santarém
"Felizmente, conseguimos controlar com as nossas barragens do Cabril e do Zêzere, em cooperação com Espanha" e não "chegámos sequer a um ponto crítico".
De visita aos concelhos afetados pelo mau tempo em Santarém, Maria da Graça Carvalho lembrou que "as últimas grandes cheias" nesta região aconteceram na década de 1970, tendo chegado aos 14 mil metros cúbicos por segundo. Desta vez, não chegou aos nove mil metros cúbicos.
"A Comissão Europeia já deu um sinal", adiantou a ministra. "Temos que ver agora como é que adaptamos estes financiamentos para poder acudir" as zonas afetadas.
Segundo a ministra do Ambiente, "é urgente tornar o nosso país mais resistente".
UE prepara sistema de mensagens via satélite para funcionar mesmo em apagão total
A Comissão Europeia está a preparar um sistema de comunicação por satélite que permitirá alertar todos os cidadãos da União Europeia em caso de emergência, mesmo em caso de apagão total, foi hoje anunciado em Estrasburgo.
Num debate no Parlamento Europeu (PE) sobre fenómenos meteorológicos extremos, em particular em Portugal, sul de Itália, Malta e Grécia, a comissária europeia para a Preparação e a Gestão de Crises, Hadja Lahbib, adiantou que, "através do sistema de satélites Galileu, vai ser possível dentro em breve enviar mensagens a todos os cidadãos da UE em caso de emergência, mesmo que haja um apagão total".
A comissária reconheceu que as políticas atuais já não estão à altura das catástrofes: "Precisamos de prevenção, reparação e recuperação, mais instrumentos e mais bem adaptados" e, nesse sentido, Bruxelas irá apresentar em breve uma estratégia integrada para o clima e uma comunicação sobre combate a incêndios florestais.
No debate de hoje, o executivo comunitário estabeleceu que a UE "não está suficientemente preparada para os impactos" das catástrofes naturais, que colocam "desafios crescentes", defendendo ser "preciso pensar para além da resposta imediata, nas consequências a longo prazo".
Neste sentido, a comissária adiantou que, perante o risco de incêndios florestais no próximo verão, o executivo comunitário está preparar uma "comunicação sobre o combate aos incêndios e gestão de risco".
"Infelizmente, sabemos que estes eventos trágicos em Espanha, Portugal, Malta e Grécia não serão os últimos desta magnitude", referiu também, Lahbib, destacando que Bruxelas "está a preparar também uma estratégia integrada para a resiliência climática com medidas para as pessoas e as empresas, que traz mais clareza e informação sobre os riscos próprios de cada Estado-membro".
A comissária destacou que a UE está pronta para ajudar os Estados-membros recentemente afetadas por tempestades, referindo ainda que a luta contra as alterações climáticas pode ser reforçada com fundos de Coesão, da política agrícola, fundo social europeu, do programa Eramus+ nomeadamente na qualificação das forças de intervenção no sentido da recuperação.
"A UE tem de melhorar a preparação, combinar as forças nacionais com a coordenação europeia para melhor responder às necessidades perante fenómenos meteorológicos extremos", defendeu a comissária.
No debate, intervieram eurodeputados portugueses, tendo Lídia Pereira (PSD) destacado que "os eventos extremos deixaram de ser exceção" e avisando que, "se os tempos mudaram, a ação política também tem de mudar".
João Cotrim Figueiredo (IL) sugeriu a criação de um plano europeu de adaptação a catástrofes naturais e o fortalecimento do mecanismo de solidariedade europeu.
O eurodeputado João Oliveira (PCP) manifestou "incompreensão face à ausência de pedido de auxílio" pelo Governo de Lisboa ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil e pediu "medidas de fundo" e mecanismos de apoio financeiro para além do Programa de Recuperação e Resiliência.
Já Marta Temido (PS) lembrou que a bacia do Mediterrâneo e a Península Ibérica se tornaram a "zona zero da crise climática da Europa: vivemos entre incêndios devastadores e inundações catastróficas" e considerou que a coordenação nacional é essencial, "qualquer que seja o mecanismo europeu que está por detrás".
O eurodeputado Tiago Moreira de Sá (Chega) sublinhou que, em situações de emergência, "os apoios europeus têm de ser mais rápidos, eficazes e menos burocráticos", referindo também que "quando as populações precisam de ajuda imediata, a reposta não pode ficar refém de burocracias, procedimentos lentos ou calendários administrativos".
Catarina Martins (BE) apontou o dedo a "uma maioria de irresponsáveis" no PE que "recua em todos os compromissos climáticos", apelando a que a UE "esteja à altura do enorme movimento de solidariedade", nomeadamente em Portugal.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
Hoje de manhã estavam ainda 35 mil clientes da E-Redes sem abastecimento de energia elétrica em consequência do mau tempo.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas e o Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
NOS com 94% do serviço móvel e 92% do fixo já recuperados
Atualmente, "94 por cento do serviço móvel da NOS já se encontra recuperado", informou a operadora em comunicado. Na rede fixa, "foi possível recuperar 92 por cento do serviço, desde que exista fornecimento de energia elétrica nas habitações ou instalações".
Os trabalhos de reposição "continuam em curso e decorrem de forma progressiva, mantendo-se condicionados por fatores externos tais como falhas persistentes de energia, dificuldades de acesso às zonas mais destruídas, exigências de segurança e condições meteorológicas adversas", referiu a NOS.
Segundo a empresa, "as equipas da NOS estão no terreno 24 horas por dia, 7 dias por semana, em estreita articulação com a Proteção Civil e as forças de segurança".
"Mantêm-se ativas medidas de contingência, incluindo a instalação de geradores, a mobilização de unidades móveis provisórias e a disponibilização de conectividade por satélite, com prioridade absoluta à garantia das comunicações que suportam os serviços críticos e as operações de emergência".
C/Lusa
Margens de Porto e Gaia podem ser inundadas novamente
"Vamos continuar focado na altura da preia-mar, que é a altura que nos preocupa mais", afirmou à RTP o responsável da Capitania do Douro. "As medidas preventivas estão no terreno, os operacionais estão no terreno".
Ereira continua isolada mas água do rio já começou a descer
Rio Sorraia a descer em Coruche
Chuva intensa em Ponte de Lima
Mau tempo. Gouveia e Melo considera que MAI deveria pedir exoneração, entre críticas ao "improviso"
O ex-candidato à Presidência da República considera que o Governo falhou na organização da resposta às populações afetadas pelo mau tempo, realçando que a ministra da Administração Interna deveria pedir a exoneração. Defende uma estrutura de missão e uma espécie de "Plano Marshall" regional.
O ex-chefe do Estado-Maior da Armada considera que o "Estado falhou" e que o "Governo é, perante os cidadãos, responsável pela resposta do Estado e terá, necessariamente, de tirar consequências políticas do que aconteceu".
"O primeiro-ministro deve refletir se, perante a evidente falta de preparação e capacidade da ministra da Administração Interna, esta tem condições para permanecer no lugar. Parecer-me-ia adequado que a senhora ministra pedisse, por sua própria iniciativa, a sua exoneração -- a bem do Governo e do país", sublinhou.
"Portugal deve abandonar lógicas corporativas dentro do Estado e atribuir funções às entidades com mais preparação e capacidade para agir em desastres e crises”, advoga.
"A Proteção Civil tem de ser remodelada de alto a baixo: deve ser fortemente profissionalizada, liberta de clientelas políticas e verdadeiramente capacitada", disse, lembrando que num outro artigo, no verão passado, propôs a criação, nas Forças Armadas, de uma grande unidade, ou mesmo um novo ramo, dedicado à proteção civil".
Na opinião de Gouveia e Melo, o primeiro-ministro tem de criar uma 'task force', ou uma Estrutura de Missão, mas na sua dependência direta, para colocar todos os ministérios a trabalhar de forma efetivamente coordenada, com unidade de propósito e comando.
"As tarefas de organização, coordenação, comunicação e liderança devem estar sob a dependência direta dessa estrutura de crise. Deve ser criada uma estrutura logística de apoio, com um nível central de coordenação e concentração, que alimente postos desconcentrados de resposta junto das populações afetadas", disse.
Gouveia e Melo considerou, entre outros, que devem ser acionados todos os mecanismos de solidariedade e financiamento comunitário, produzida legislação adequadas para responder às consequências negativas das tempestades.
"Devemos criar um 'Plano Marshall' regional e localizado, que recupere e desenvolva ", disse.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
c/Lusa
Muitas zonas ainda inundadas na Ribeira de Santarém
Muita chuva em Amarante. Caudal do rio Tâmega deve voltar a subir
35 mil clientes da E-Redes ainda sem energia
Avintes alagado. Caudal do rio Douro continua a subir
Município de Chaves ativou plano de emergência
Caudal do Douro está estável mas água deve inundar margens esta semana
Ordem dos Engenheiros apoia vistoria às infraestruturas rodoviárias e pontes
O bastonário da Ordem dos Engenheiros concorda com a iniciativa do Governo em mandar vistoriar a todas as obras de arte e infraestruturas críticas do país. “Quando se tratar de vidas de pessoas é perfeitamente aceitável”, refere Fernando de Almeida Santos.
Uma medida anunciada pelo Governo, devido aos vários incidentes que têm ocorrido no país devido ao mau tempo.
Relativamente ao prazo para a vistoria, Fernando de Almeida Santos diz que depende de quantos locais forem visitados, e do material disponível.
O bastonário da Ordem dos Engenheiros sugere que haja, para precaver catástrofes, um orçamento para vistorias e obras.
Parlamento Europeu debate fenómenos meteorológicos extremos
Os eurodeputados vão questionar representantes da Comissão Europeia sobre a ação da UE para prevenir e preparar-se para as catástrofes naturais.
Circulação ferroviária continua condicionada nas linhas do Norte, Cascais e Douro
No Oeste e urbanos de Coimbra a circulação está suspensa
Proteção Civil alerta para inundações
O quadro meteorológico de chuva intensa, vento forte, agitação marítima e queda de neve em Portugal continental deverá manter-se até quarta-feira, indicou a Proteção Civil, alertando para um aumento das inundações, sobretudo nas regiões Norte e Centro.
A depressão Marta já deixou o território português e deslocou-se para Leste, mas o território do continente continua a ser influenciado por outras depressões que se estão a formar mais a Norte no Atlântico e será ainda atravessado por ondulações frontais que estão associadas a essas depressões, explicou a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Alexandra Fonseca.
"Parece que estão a brincar". Vigília em Leiria pelas vítimas do mau tempo com críticas ao Governo
Parte do concelho de Leiria permanece sem energia e a população sente-se revoltada. Esta noite, centenas de pessoas juntaram-se na cidade para prestar homenagem às vítimas mortais do mau tempo, levando a cabo um minuto de silêncio e segurando velas.
Foto: Paulo Cunha - Lusa
"A cada comentário que tecem, parece que estão a brincar e que não têm vergonha absolutamente nenhuma nem respeito pelo povo português"
Esta habitante destacou os casos de pessoas na Marinha Grande a passar dificuldades extremas, assim como idosos em toda a região que estão isolados.
No cartaz que segurava lia-se a frase: "Condolências aos governantes que não evitaram a trágica consequência de perderem a decência".
O presidente da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes, participou nesta vigília do movimento Reerguer Leiria.
Montemor-o-Velho. Freguesia da Ereira está isolada há sete dias
A população tem de atravessar o rio de barco para ir buscar medicamentos ou comida.
Valada do Ribatejo continua isolada
De Valada do Ribatejo só se consegue entrar ou sair de barco. Os moradores não se mostram preocupados, mas criticam a falta de manutenção dos diques em redor da aldeia.
Arruda dos Vinhos pede ao Governo que decrete situação de calamidade
Quase todas as estradas do concelho estão destruídas e há já casas a colapsar.